Você sabe o que é Ginga?
Qual a primeira coisa que lhe vem à mente quando pensa “ginga”? A ginga da mulata? Ginga como sendo aquele jeito brasileiro de lidar com as coisas? O balanço - groove - que só se vê por aqui? O movimento fundamental da capoeira? É, talvez. Mas não é sobre essa ginga que vos falo. Falo sobre o Ginga, o “middleware aberto do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD)”. E o nome Ginga vem justamente dos conceitos acima mencionados.
Quem é da informática ou está por dentro dos avanços tecnológicos (principalmente o que diz respeito à TV digital), já deve estar familiarizado com este termo mas, tendo consciência de que muitos possam não estar, vou falar um pouco a respeito do Ginga.
“O Ginga é um middleware…”. Beleza, mas que raios é um middleware? Em poucas palavras, middleware é um programa de computador que facilita a vida do programador, proporcionando-lhe um ambiente de desenvolvimento mais fácil e produtivo no que diz respeito à comunicação com o sistema operacional e com a máquina em questão. Saiba mais sobre middleware clicando aqui.
“O Ginga é um middleware de software livre”. Beleza, mas que raios é software livre? Se você ainda não está familiarizado com termo “software livre”, não se preocupe. Certamente irá ouvir falar muito a respeito disso. Mas software livre é basicamente uma forma de desenvolvimento de programas de computador na qual o programador permite que outras pessoas possam ver o código-fonte do programa e modifica-lo segundo suas necessidades. Entenda melhor o que significa software livre clicando aqui.
Agora que você já sabe, por cima que seja, o que significa middleware e software livre, junte tudo isso e coloque no padrão brasileiro de TV Digital. Esqueça, por enquanto, as definições de TV Digital da SKY, Net, DirectTV…
O Ginga, por ser livre (lê-se grátis), pode permitir que aplicações realmente interativas para televisão digital possam ser criadas por qualquer pessoa, não apenas as grandes empresas que possuem fundos para investimento em desenvolvimento para plataformas específicas de terminais de acesso (os set-top-boxes). Isso significa que, se você tem um decodificador de TV digital rodando Ginga e tiver algum (sólido) conhecimento em programação, você mesmo pode criar o software para sua televisão. O Ginga veio para facilitar a vida das pequenas emissoras de TV, comunitárias por exemplo, que não possuem os fundos suficientes para colocar sua programação numa SKY da vida. Como, num futuro próximo, a grande parte dos lares terá um decodificador padrão rodando Ginga, a verdadeira interatividade entrará em cena.
Sim, eu disse interatividade. O conceito de interatividade que estão vendendo por aí não passa de uma qualidade de imagem melhorada com uma grade de programação, ou seja, um DVD com um menu melhorzinho. A real interatividade vai muito além disso. É você poder acessar o canal do seu banco e fazer movimentações financeiras a partir do controle remoto, assistir às aulas sentado no sofá (e debater com seus colegas) e torcer para o Grêmio durante o Gre-Nal com até seis ângulos de câmeras ao mesmo tempo são alguns exemplos.
Mas tem um detalhe: um middleware de TV digital gratuíto é vantagem para as grandes emissoras? Pode ter certeza que uma longa batalha será travada. Só que, independente dos interesses dessas emissoras, acredito que o Ginga irá triunfar. O software livre já está triunfando sobre o pago. Exemplo disso: o padrão brasileiro de documentos virtuais agora é o ODF, sigla para Open Document Format. Em outras palavras: ninguém mais precisará comprar o MS Office para abrir uma planilha x ou ler um texto y. Outro exemplo é que muitas escolas e usuários estão migrando para sistemas operacionais livres, como o Linux e FreeBSD (que já usam como padrão o ODF). É a união fazendo a força.
Caso o leitor queira ficar mais por dentro do assunto, preparei alguns links na sessão Links Interessantes deste blog.
Tenho dito.